4º dia de mochilão - Bariloche

Não sei se já comentei, mas como a crise na Argentina desvalorizou a moeda, então tudo por aqui está caro... Se o nosso mochilão já era econômico, agora ficou muito mais econômico... Então com isso, cortamos a cidade de Mendoza do nosso roteiro e resolvemos seguir logo para Bariloche, que é onde depositamos nossas maiores expectativas no quesito aventura! E realmente parece que nossas expectativas serão muito mais que supridas.

O caminho para Bariloche é muito lindo, quando fomos chegamos próximo a cidade já dava pra avistar o que nos esperava... Altas montanhas com os picos cobertos de neve e mais abaixo uma vegetação de pinheiros, pés de eucalipto, uma linha de lagos com águas cristalinas. Encaramos corajosamente 21 horas de viagem, chegando a Bariloche a Erika vira pra minha poltrona e diz "estou sentindo que vamos passar frio". E, não deu outra. Pra quem está acostumada a encarar 37°C na sombra e uma sensação térmica que chega a 41°C, assim que desci do ônibus senti logo uma baforada do vento, que de tão frio parecia que ia cortar a minha alma em mil pedaços.

Lembram que eu disse que Bariloche seria aventura do início ao fim? Não sei quanto ao fim, pois ainda não chegamos no 5° dia... Mas do início já tenho bons micos pra contar. Primeiro que olhei no mapa que a Rodoviária de Bariloche era próximo ao Centro Cívico (onde pegaríamos os mapas da cidade e das atrações) e claro que eu olhei o mapa errado (pra variar)... A rodoviária fica há uns 4Km da Centro, como já estamos umas atletas no quesito de caminhar quilômetros, claro que só a distância não seria problema se não estivéssemos com as cargas nos lombos... Então lá se vai o sorteio entre nós para quem será a elegida para estabelecer contato e pedir informação de alguém sobre como se chegava lá e não é que a Rafa tava corajosa!? Aí a mulher, da qual ela pediu informação, apontou para o ônibus... Claro que eu duvidei da Rafa e da mulher, sabe-se lá... Fui pra fila para subir no ônibus, mas antes perguntei a outro gringo com um mapa na mão, ele disse que ia descer lá... Então é com ele que iríamos de carona.... Só que a peste desceu pela frente e não vimos, quando dei por falta do gringo "descascado" perguntei a um nativo e o mesmo disse que era pra descer e pegar a direito... Então lá fomos nós, ainda bem que deu tempo descer na parada certa...

No centro de informação turística

Como viemos para Bariloche sem reserva, sem mapa e com pouco dinheiro... Então a Lei era: Gastar o mínimo possível com hospedagem, não luxar na alimentação e se divertir muito! E, o melhor lugar para ter panfletos e mapas do que queríamos seria no Centro de Informação ao Turista (que por ser Domingo estava aberto, maior sorte a nossa)... Começamos por parte, primeiro o Hostel... E, não tinha quase nenhuma informação, pois já viemos sabendo mais ou menos que esses lugares estão sempre lotados por aqui e as reservas se fazem pela internet... Mas, como toda cidade turística, fomos abordadas por um rapaz que estava entregando chocolates e que falava português... Aí viu as nossas caras de perdidas e perguntou se estávamos procurando hospedagem e nos indicou um hostel que ficava a 10 quadras por $40 (pesos) cada... Quando chegamos aqui vimos que fizemos um bom negócio, ficamos num quarto privado e aconchegante com o melhor de tudo, um banheiro pra disputar entre nós três... Confesso que essa foi a melhor parte! RS... Sabe, com esse frio só dá pra tomar banho com água quente e a pobre da Erika apanhou pra regular a temperatura da água... De tão quente ela quase queimou a mão no banho, aí resolvi descer e pegar as coordenadas com a dona do hostel e no fim tudo deu certo!

O melhor dessa viagem é que, quando vemos um Carrefour nos sentimos em casa... Até alguém abrir a boca, claro! Então vimos um bem pertinho do Hostel, e já fomos comprar nossos mantimentos pros 4 dias, com um cardápio variado... Eu e a Rafa comemos carne e a Erika ia tirar o bucho da miséria com as mais variadas formas de comer produtos a base de soja... Enfim, fizemos a festa!

Nota dos preços: alho e café aqui custam ouro!!!!!! O quilo do alho custava cerca de 43 pesos (21,50 reais) e o pacote de café o mais barato custava 28 pesos (19 reais)... Achei uma caixinha que vinham uns saches de café já com açúcar (20 und.) por 8 pesos (então foi ele mesmo)...

Mochilão econômico combina com caridade!

No caixa, hora do acerto... Gasto 68,57 pesos aí a mulher me pergunta alguma coisa que só entendi que ela estava me pedindo 0,43 centavos de pesos... Aí a lesada aqui presumiu que ela precisava disso pra facilitar o troco e comecei a tirar as moedas da carteira, quando ela disse que não precisava que o meu troco (o tal 0,43 pesos) era pra doar pras vítimas do Haiti... A vaca me engabelou e eu ainda saí com cara de Amélia... Tanto que só fui contar o acontecido pras meninas agora a noite...E logo a Rafa soltou o bordão que será tema da viagem toda: "Compras no Carrefour $68,57 (alimentação para 4 dias); Doação de $0,43 para as vítimas do Haiti e passar frio em Bariloche não tem preço!"

No primeiro dia, devido a diferença de altitude, tivemos que fazer coisas light para que o nosso corpo se acostume sem que tenhamos reações adversas... A Rafa ainda sentiu dor de cabeça, eu uma secura na garganta que não passa e a Erika frio até na ponta dos cabelos... Essas precauções tem que ser tomadas antes de subirmos os Cerros (Montanhas), então, nada de bebidas alcoólicas e muito repouso.

Pra amenizar o frio, eu e a Erika descemos a rua principal até as galerias do comercio e vou dizer mais uma vez, essa cidade é linda de doer! Literalmente. Comprei dois pares de luvas de lã pra aquecer, já que não trouxemos roupa de frio, vamos vestir blusa por cima de blusa até se adaptar... Creio que quando estivermos indo embora essa tal adaptação apareça!

Bariloche se encontra no verão, não gosto nem de imaginar se tivéssemos vindo no inverno! Ui, me dói até o espinhaço de tanto frio só em pensar!

Bejos muchachos! Amanhã o roteiro é camelar pela cidade e entrar nos museus que, durante a semana, parece que são 0800.

2 comentários:

Michelle Coelho disse...

Dany, qual o nome do Hostel por favor?

Dany Cavalcante disse...

Michelle quando fomos no hostel em Bariloche ainda não tinha nome e futuramente seria algo como um pensão para estudantes. Mas em Bariloche tem um local só para informações turísticas, inclusive de hospedagens.
A dica também é pegar as dicas do site mochileiros.com faço praticamente todos os meus roteiros por lá!