Sonhos são atemporais, a realidade não...

Você concorda com o título? Depende do ponto de vista do qual se analisa, disse o ouvinte... Pois bem, o ponto de vista. Vamos lá!
Sonhos são atemporais (você tem tempo para sonhar, qualquer hora é hora), a realidade não (você nunca tem tempo para vivê-los, porque a realidade está sempre te puxando pro "agora").
Tenho 27 anos e às vezes me acho muito mais velha que essa geração... acho que viajei através do tempo do espírito e alguém esqueceu de "formatar" o meu modo antigo de pensar. É a única solução que acho pra mim, pois vejo muitos da minha idade e outros um pouco mais velhos que eu e a única coisa que consigo enxergar é uma realidade de plástico, pessoas que se modificam pra parecer outras ou para ser apenas diferente de todos e acabam entrando numa singularidade artificial.
Esquecemos que sonhar é preciso, que a vida não é só aquele interminável anseio por consumo. Seja daquele cigarro da moda, o allstar ou aquela blusa 'bem transada' e sim o sonho por algo atemporal, não que precise você sair da realidade, mas que esse sonho tenha um valor inestimável e que não tenha prazo de validade.
Vivemos numa época de bizarrices, que tudo é muito normal e ninguém tem escrúpulos. Muito barulho pra pouca conversa, vivemos uma realidade instantanea e amores de 'miojo' (pronto em três minutos). Taxamos o AMOR como um clichê, a SAUDADE como uma pergunta difícil a ser respondida instantaneamente, até porque está fora de moda esses termos. Eis a realidade de plástico que vivemos!
Nos comovemos quando um ídolo morre, mas não nos comovemos tanto quando um vizinho ou parente distante morre. Dá pra entender essa superficialidade do qual estamos transformando nosso ser? Ficamos em luto por alguém com quem nunca tivemos contato, no entanto não estamos nem aí ou pouco nos comovemos quando alguém que já fez parte do nosso círculo morre...
Você pode até pensar... Sim, mas e daí? Qual a ligação de tudo isso com o título? Sabe qual? O real valor que damos aos nossos sonhos, porque infelizmente (de forma errônea) estamos aprendendo que eu posso sonhar amanhã se sobrar um pouco de tempo, ou que eu posso deixar pra lutar por algo que queira muito amanhã quando estiver menos cansada, ou posso deixar pra dizer que estou com saudade de alguém amanhã depois dessa farra... Vivemos como se fóssemos viver para sempre, sempre deixando o mínimo, porém mais importante para amanhã.
Ou vivo em uma época estranha (deslocada no tempo) ou eu é que sou a estranha nessa época, porque sou muito imediatista. Sonho desde sempre, desde que me lembre respirar... Vou sempre em frente, vivo a realidade mas nunca esqueço meus valores.
Sou uma eterna apaixonada pela vida, observadora do seu frenético ritmo vou vivendo a realidade sem soprar minhas bolinhas de sonhos por onde passo. Sou uma eterna amante do AMOR, ele é meu alimento de todas as manhãs, mesmo que às vezes acorde pensando que o amor esqueceu o caminho do meu coração, mas perder a esperança nunca! De todas as minhas tentativas em sonhar e tornar do sonho uma realidade, por mais instantanea que seja, um dia ei de encontrar aquele que me suporte e me aceite do jeito que sou, uma estranha deslocada no tempo e cheia de clichês!

Deixo uma citação do nosso querido Luís Fernando Veríssimo: "Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão... que o AMOR existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena!"

1 comentários:

Inês Correa disse...

Olá Daniele

Vi que você estava linkada lá no Corpo em Imagem e vim aqui te conhecer.
Li alguns dos textos no seu paraíso e achei bastante interessantes. Tantas perguntas e tão poucas respostas parece que temos, não é mesmo? Mas como você mesma diz, o importante é nunca desistir, não acha? Abraço